Mon. Jul 22nd, 2024

O Papa Francisco reiterou numa nova entrevista que a Ucrânia deveria negociar o fim da guerra com a Rússia, mas desta vez usou uma linguagem – adoptando a expressão do seu entrevistador, “bandeira branca” – que chamou a atenção e levantou questões sobre se o Papa estava a sugerir que Rendição da Ucrânia.

Na noite de sábado, o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, esclareceu imediatamente que o Papa quis dizer “cessar-fogo e negociação”, e não rendição, quando disse bandeira branca, um símbolo universal de renúncia.

Mas as palavras do papa e outras que ele usou durante a entrevista sublinharam como o Vaticano tem frequentemente confundido as autoridades e apoiantes da Ucrânia que lutam para compreender a sua posição.

No início da guerra, muitos ucranianos expressaram frustração com Francisco pela sua recusa em apontar especificamente a Rússia e o seu presidente, Vladimir V. Putin, como agressores no conflito.

Francisco acabou por se tornar mais veemente ao expressar apoio ao que ele chamou de “Ucrânia martirizada”, citando a agressão da Rússia e rezando pelas vítimas inocentes da Ucrânia. Mas o Vaticano também procurou evitar tomar partido na guerra, em parte para preservar a possibilidade de ser chamado a negociar um acordo de paz, uma esperança que muitos analistas geopolíticos consideram ilusória.

Francisco usou o termo bandeira branca numa entrevista televisiva gravada em fevereiro para o canal de televisão suíço RSI. O tema da entrevista foi a cor branca. Um entrevistador perguntou a Francisco se ele acreditava que na Ucrânia havia a necessidade de “rendição, neste caso a bandeira branca”, ou se tal capitulação apenas legitimaria as ações de homens fortes.

De acordo com as imagens da entrevista fornecidas pela emissora pública, que será transmitida ainda este mês, Francisco respondeu dizendo que o medo de encorajar o agressor era “uma interpretação, é verdade. Mas acredito que o mais forte é aquele que vê a situação, pensa no povo e tem coragem de levantar a bandeira branca e de negociar.”

Bruni disse que o papa estava usando a imagem proposta pelo entrevistador para indicar “a cessação das hostilidades, a paz alcançada com a coragem da negociação”. Ele ressaltou que mais tarde na entrevista, Francisco disse: “a negociação nunca é uma rendição”.

Mas nessa mesma frase, Francisco chama a negociação de “a coragem de não levar um país ao suicídio”.

O papa fez outras declarações que deixaram as autoridades e apoiantes ucranianos desconfortáveis, dizendo uma vez que havia uma “missão” secreta do Vaticano para trazer a paz ao conflito. O seu hábito de dar audiências a aliados e funcionários do governo de Putin e a sua condenação generalizada do comércio de armas – quando Kiev precisa de armas para se defender – também minou a confiança de alguns ucranianos no apoio do papa à sua causa.

Na entrevista à RSI, Francisco disse que hoje “pode-se negociar com a ajuda das potências internacionais, elas estão aí, não? Essa palavra negociar é uma palavra corajosa.”

E acrescentou: “Quando você vê que está derrotado, que as coisas não vão bem, é preciso ter coragem para negociar”.

“E você tem vergonha de si mesmo?” para negociar, continuou, acrescentando que se, em vez disso, se continuasse no mesmo caminho, “quantos mortos, e depois? No final, será ainda pior.”

Acrescentou que era fundamental “negociar a tempo, encontrar algum país que possa atuar como mediador”.

“Hoje, por exemplo”, continuou, “na guerra na Ucrânia, há muitos que querem ser mediadores, não? Turquia, por exemplo. Não tenha vergonha de negociar antes que as coisas piorem.”

O próprio Francisco tem procurado frequentemente posicionar o Vaticano como tal mediador. Questionado na entrevista se estaria disposto a desempenhar tal papel, ele respondeu: “Estou aqui, ponto final. Eu já disse isso.”

Bruni, o porta-voz do Vaticano, acrescentou no sábado que a esperança do papa permanece de que uma solução diplomática possa ser alcançada para uma “paz justa e duradoura”.

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By NAIS

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