Mon. May 27th, 2024

A primeira vez que ouvi um amigo elogiando “salada murcha”, as lembranças voltaram à tona. Eles não eram totalmente bons.

Eu podia imaginar aquela tigela meio cheia de verduras caídas e manchadas de óleo na geladeira, sobras da noite anterior. Quando eu era criança, minha mãe odiava tanto a ideia de desperdiçar comida que guardava a salada que não comia no café da manhã do dia seguinte, muitas vezes cobrindo-a com um ovo frito.

Minha irmã e eu achamos que a salada do café da manhã da minha mãe não parecia apetitosa, para dizer o mínimo. Fiquei surpreso ao ouvir alguém falar entusiasmado sobre isso.

Exceto que meu amigo estava exaltando uma salada murcha completamente diferente. Popular no Sul, não tinha nada a ver com sobras e tudo a ver com pepitas de bacon fervendo na própria gordura. Quando essas gotas bem quentes são derramadas sobre um monte de alface ou espinafre resistente, elas o amolecem, imbuindo-o de uma riqueza esfumaçada. Parecia muito melhor do que o café da manhã econômico da minha mãe.

Comecei riffs da versão sulista, substituindo as verduras por couves de Bruxelas fatiadas. Já tinha feito isso muitas vezes e adorei a infinidade de texturas, a forma como algumas das peças mais finas pareciam derreter enquanto as mais grossas permaneciam firmes e crocantes. O bacon – aquele clássico melhor amigo dos vegetais crucíferos – ajudou a realçar a doçura dos brotos e suavizou seu amargor.

Nesta ocasião, porém, eu precisava de uma refeição, não de um acompanhamento. Lembrei-me do ovo frito da minha mãe, da forma sedutora como a gema líquida se misturava com a mostarda azeda e granulada que ela misturava no molho. Talvez ela estivesse certa, afinal.

Enquanto meu bacon estava crocante, fiz um molho de vinagre de cidra, acrescentando a mostarda granulada necessária e deixando de fora o pouco de açúcar frequentemente usado nas saladas murchas do sul para um sabor mais assertivo. O passo mais importante, aprendi, é colocar o bacon na saladeira enquanto ele ainda está chiando e estalando. É preciso calor máximo para domar couves de Bruxelas saudáveis.

Depois fritei os ovos na mesma frigideira que usei para o bacon.

Os ovos tornaram a salada tão substancial que até comi sobras. Canalizando minha mãe, coloquei-os na geladeira. E eles tinham o mesmo sabor no café da manhã da manhã seguinte.

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By NAIS

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